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Oikos Quilombola : arte-educação-ambiental e a poética do pau a pique

Autor(a): Ferreira, Carlos Roberto

Orientador(a): Sato, Michele Tomoko

Resumo

O sentido socioambiental da Casa da Cultura Quilombola enquanto uma Oikos – ambiente da casa habitado - foi interpretado, na dimensão política do Quilombo. Oikos como espaço de diálogo praxiológico do professor e do aluno, nas arquiteturas da Educação. Comunhão da família em sua ambiência cultural, na cotidianidade íntima, na Comunidade Mata Cavalo, no município de Nossa Senhora do Livramento – MT. A compreensão investigativa foi ressignificada enquanto espaço de referência da Escola e da cultura local, construída por meio de Prática Pedagógica, respaldada pela Arte–educação–ambiental e sua praxis. A Cartografia do Imaginário foi alicerce fenomenológico enquanto metodologia, que conjugou tijolos de diferentes saberes por meio da Participação Observante e do Projeto Ambiental Escolar Comunitário – PAEC. O diálogo com a Arte-educação se fez argila-saliva, elemento intrínseco no Processo Formador com a Cartografia do Fogo. Essa relação dialogante contribuiu na investigação das catástrofes físicas ambientais presentes na Casa da Cultura, provocadas pelos colapsos climáticos locais. Com a participação de Professores (as), Técnicos (as), estudantes e pessoas da Comunidade realizamos o nosso Objetivo Maior, onde procuramos investigar a Casa da Cultura Quilombola na dimensão de uma Oikos, observando a sua relação pedagógica com a Escola, para encontrar na arte-educação-ambiental, uma direta relação da Escola com a Comunidade. Ainda, compreender de que maneira os quilombolas interpretam o fenômeno climático, que invisível, torna se difícil de ser questionado para alertar sobre catástrofes socioambientais. A pesquisa me trouxe aprendizagens à vida científica e ao meu cotidiano profissional enquanto arte-educador-ambiental; contribuiu com o meu pensamento sobre o papel socioambiental da Escola, bem como me revelou reflexões para compreender a riqueza da dimensão cultural, presente nas vivências da família quilombola. No interior dessa Oikos, bebi no pote de barro a água da formação, na busca de uma viagem científica. Enfrentei o processo “dolorido” da deformação, tentando vencer os obstáculos com a força da terra. De igual maneira, me entreguei à combustão da transformação desejada com a força do fogo e por fim, tive tempo para repousar na busca de uma reformação. Contudo, foram as entrevistas e as respostas destas, que deram um sinal de que nesta pesquisa, havia um outro tempo a ser respeitado: aquele guardado nas experiências da resistência quilombola, presentes no habitar uma casa de pau a pique, com a coragem de deixar o fogo do lado de fora. Com esse pensamento, ativei e re-ativei a memória, para respirar o ar de um novo ciclo, considerando o encantamento e o reencantamento do processo da pesquisa, na Oikos que habitamos.

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