Autor(a): Costa, Janaina Santana da
Orientador(a): Caetano, Edson
Resumo
Nossa pesquisa se fundamenta na base teórica propiciada pelo marxismo, que parte da categoria trabalho como produtor dos meios de vida, tanto nos aspectos materiais como imateriais e de formas de sociabilidade (MARX, 2013). O trabalho permanece como velha forma de experiência humana que se renova em permanência, interpela também nossos modos de compreender e agir sobre o mundo. Para a tessitura da pesquisa, utilizamo-nos do materialismo histórico como método de interpretação de uma realidade concreta; no pressuposto de Marx (2007), que o trabalho é responsável pela humanização do ser humano; na categorização de experiência formulada por Thompson (1981; 1987a; 1987b; 1987c; 2001; 1998), sobretudo, das categorias: trabalho, experiência e produção associada. Valemo-nos principalmente das reflexões empreendidas por Marx (2007), Marx e Engels (2007), Thompson, Tiriba (2004; 2008a; 2008b; 2014), Fischer (2009; 2011), Caetano (1996; 2008), bem como das pesquisas realizadas no Grupo de Estudo e Pesquisa Trabalho e Educação – GEPTE/UFMT por: Neves (2012), Guerino (2013), Azeredo (2013), Souza (2014), Silva (2015), Fonseca (2015), Ramirez (2015) e Polini (2012) para entender que, ao realizarem seu trabalho, ao produzirem farinha, os trabalhadores e trabalhadoras da Associação dos Pequenos Produtores Rurais da Comunidade de São Benedito Remanescentes das Comunidades dos Quilombos produzem sua história, seus saberes, sua educação, suas relações sociais e consciência de classe. No contexto de reestruturação produtiva do capital, franqueada no início da década de 1980, a comunidade Remanescente de Quilombo São Benedito resiste frente a este modo de massificação da força produtiva, organizando-se historicamente através do trabalho associado. À luz dessa resistência está a relevância social, política e cultural da pesquisa na comunidade tradicional de São Benedito, devido às condições materiais históricas que atuam como guardiões da experiência do trabalho coletivo. Tal experiência histórica será nominada neste trabalho como “Espaços de esperanças”. A produção da existência se materializou no trabalho coletivo se considerarmos a totalidade histórica, econômica, política, social e cultural da comunidade. Com isso, o resquício da experiência do trabalho coletivo, sendo reminiscência dessa organização possibilitou, de alguma maneira, o trabalho coletivo mais estruturado se materializasse na constituição da Farinheira na Comunidade São Benedito. Assim, o objetivo central é perceber elementos econômico-culturais na conformação das experiências da produção associada historicamente presentes na constituição da existência de mulheres e homens da Farinheira de São Benedito, compreendendo que a experiência histórica do trabalho coletivo foi decisiva na constituição da organização do trabalho associado na farinheira. A pesquisa de campo realizou-se com trabalhadoras e trabalhadores que se associaram na Farinheira da Comunidade São Benedito, localizada no município de Poconé, Mato Grosso. Almejamos ampliar a partir das análises a valorização dos saberes da experiência, bem como vincar a produção associada como importante organização político-pedagógica que se configura como estratégia de produzir a vida ao mesmo tempo/espaço que questiona a lógica capitalista, apesar de estar inserida nesse contexto.